18 de Maio de 2010

Be strong Be safe Be Free

Gil Scott-Heron já tem 61 anos. A fisionomia do norte-americano é a de um homem magrito, cabelo grisalho, com um andar meio perdido. Parece mais velho.
Se entrasse no autocarro, alguém mais atento (e altruísta), seguramente se levantava para dar lugar ao tipo velhote.
O fato escuro parece não combinar: as calças são dois números abaixo, com baínha de quem vai ao berbigão. O casaco, é dois números acima. Comprido e largo. Ele bem goza e diz que à conta da magreza e do aspecto franzino, tem conseguido umas quantas refeições grátis. Diz isto ao mesmo tempo em que pensamos que, se calhar, se comesse uma canjinha... ou um caldo verde...!
Tudo isto com um boné à taxista enterrado na cabeça.
Gil é assim. Um tipo bem disposto que goza com tudo. Do vulcão, à sua versão da origem do jazz, às 300 samples que já fizeram das suas músicas: do grande Kanye ao excelente Common. Nós gostamos deles todos. Do original ao samplado.
Pareceu-me um concerto muito intimista como já há muito que não assistia e houve um enorme respeito e silêncio. Quase que sentimos que aquelas músicas, aquele momento eram do Gil e de cada um de nós.
Quanto ao humor, sim, sabemos que todo o discurso foi bem preparado. Não interessa. Quantos concertos são preparados e a sensação que dá é a de que sobem ao palco, vomitam o que têm para fazer, acenam e até à próxima?
O que faltou? Um baixo para o som groove. Apenas.
O que estava a mais? Aqueles devaneios estridentes da menina das teclas e o batuque do senhor dos batuques. Um exagero!

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